Câmara Municipal e Polícia Civil fortalecem parceria para ampliar rede de proteção às mulheres e combater o feminicídio em Água Clara
Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Água Clara e a Delegacia de Polícia Civil do município reuniram-se nesta segunda-feira, às 15h, com o objetivo de estabelecer uma parceria institucional voltada ao fortalecimento do atendimento e da proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.
A reunião teve como principal finalidade estabelecer um fluxo de comunicação entre os órgãos, possibilitando que a Delegacia de Polícia Civil encaminhe as vítimas de violência doméstica à Procuradoria da Mulher. A proposta é garantir que essas mulheres recebam acompanhamento contínuo, tenham acesso à informação sobre seus direitos, suporte emocional, assistência social e integração a uma rede de apoio, reduzindo as chances de retorno ao ciclo da violência e prevenindo casos mais graves, como o feminicídio.
Na madrugada do último domingo (12), uma mulher foi vítima de uma tentativa de feminicídio em Água Clara. Segundo informações divulgadas pelo portal G1, um homem de 34 anos foi preso após atropelar propositalmente a companheira, de 38 anos, após uma discussão. A vítima foi socorrida em estado grave. Sendo assim, é visível a necessidade de medidas que atenuem os índices de violência contra a mulher no município.
Participaram do encontro a Vereadora e Procuradora Especial da Mulher, Didi Marques; a Vereadora e Procuradora Adjunta, Léo; o Delegado da Polícia Civil de Água Clara, Raul Henrique Oliveira da Costa; a Escrivã ad hoc, Gilvanilda Melo; e a advogada da Procuradoria da Mulher, Dra. Suelen Martins.
Durante a reunião, a Escrivã ad hoc Gilvanilda Melo destacou a importância do acolhimento humanizado no primeiro contato com as vítimas. Segundo ela, muitas mulheres chegam emocionalmente fragilizadas, especialmente por terem sido vítimas de agressões praticadas por homens. Por isso, o atendimento na delegacia é estruturado de forma a garantir privacidade e segurança, com encaminhamento direto para a sala lilás da delegacia. O atendimento é feito primordialmente por escrivãs mulheres, a fim de trazer acolhimento, empatia e sororidade feminina. “A partir desse atendimento, conseguimos dar encaminhamento às medidas necessárias, inclusive às medidas protetivas, que são comunicadas imediatamente ao Judiciário”.
O Delegado Raul Henrique Oliveira da Costa ressaltou que a parceria representa um avanço significativo no enfrentamento à violência contra a mulher no município. “É de suma relevância essa parceria entre a Câmara Municipal e a Delegacia de Polícia Civil, pois amplia a rede de monitoramento e fortalece essas mulheres. O combate à violência não é responsabilidade apenas das forças de segurança, mas de toda a sociedade e das instituições públicas”.
A Vereadora Didi Marques, Procuradora Especial da procuradoria, pontuou que o encontro marca um avanço importante na integração entre o Legislativo e as forças de segurança. “Demos um passo fundamental no fortalecimento dessa parceria, especialmente no acolhimento e acompanhamento das vítimas. Mais do que punir, é necessário proteger, amparar e evitar que novas violências aconteçam. É com união que vamos enfrentar essa realidade”.
Já a Vereadora Léo, Procuradora Adjunta da procuradoria, enfatizou que a violência contra a mulher deve ser tratada como uma questão coletiva. “Não se trata de um problema privado, mas de responsabilidade social. Essa parceria busca agir de forma preventiva, evitando que a violência chegue a um ponto irreversível e impedindo que novas histórias sejam interrompidas em nosso município”.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública apontam que Mato Grosso do Sul já registrou 34 casos de tentativa de feminicídio e 9 feminicídios em 2026 (até 12/04), evidenciando a urgência de ações integradas e efetivas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
O município de Água Clara também já vivenciou, recentemente, a dor de um caso consumado de feminicídio. Em fevereiro de 2025, a jovem empresária Mirieli Santos, de 26 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro, após um histórico de ameaças e perseguições. O caso reforça a importância de ações preventivas e do fortalecimento da rede de proteção, para que sinais de violência sejam identificados e interrompidos antes que resultem em tragédias.